02/05/2016 // Clicks por aí

Somos tudo o que quisermos ser

Eis que, há pouco menos de duas semanas, uma revista de grande circulação nacional (e grande poder de manipulação) lançou uma matéria que trazia consigo o título “Bela, recatada e do lar”. Quem está na Internet está a par do assunto e sabe bem o que foi dito na publicação.

foto 3 disco

Com a grande repercussão da matéria e das palavras usadas para elogiar uma mulher a partir de sua postura como mãe, do comprimento de sua saia e das maçãs de seu rosto, a Internet veio abaixo, e as críticas vieram a partir de fotografias. Fotos sensacionais. Por quê? Porque são reais. São cotidianas e espontâneas. Somos nós, mulheres, fazendo o que bem quisermos, aonde queremos estar e com a roupa que decidirmos usar. Foi uma movimentação cômica, sim. Mas que trazia uma discussão enraizada e bem profunda. Todas nós sabíamos a importância dessas postagens.

foto 1 disco

Hoje a discussão não é sobre luz, enquadramento ou filtros. Não é sobre fotografia analógica ou digital. É sobre espontaneidade. É sobre o que queremos fazer desde que o mundo é mundo, mas somos barradas e estereotipadas. Nós dançamos, beijamos, transamos e tiramos a roupa. O sutiã incomoda, a gente tira, o cabelo esquenta, a gente raspa, a música é boa, a gente dança, a cerveja gelada a gente toma. Assim como usamos maquiagem se quisermos, arrasamos no batom vermelho se quisermos, subimos num salto, cuidamos dos nossos filhos, casamos e limpamos nossa casa.

foto 2 disco

E pensando nessa padronização tediosa e machista que a sociedade impõe sobre nós, mulheres, que ilustro o texto de hoje com fotografias vindas diretamente das boates dos anos 70. Os exemplos poderiam ser inúmeros, mas essas imagens, em especial, seriam muito atuais se postadas com a hashtag “bela, recatada e do lar”. Diversas mulheres, com roupas diferentes, cabelos diferentes. Era assim há 40 anos, é assim hoje e continuará sendo assim. Importante é saber que o problema não é ser bela, ou recatada ou do lar (que, vamos combinar, o que é ser “do lar”?) – enfim, continuemos. O problema não é ser tudo isso. O problema é vivermos em uma sociedade onde isso é imposto como padrão. Padronizar as mulheres que é o problema, meus caros. E é por isso que estamos discutindo esse assunto.

Fotos: Ron Galella – Studio 54 (divulgadas no The Guardian).

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