11/09/2015 // Valentina em Londres

Bolhas e linguiças

Se às vezes jantar fora pode se tornar uma exaustiva e complicada experiência, dadas às inúmeras possibilidades no cardápio, restaurantes especializados apareceram para acabar com isso. Na capital inglesa, o que não falta são opções gourmets para agradar a todos os paladares. E nesse mercado tão vasto e complexo está uma combinação que pode parecer um tanto aleatória: champanhe e cachorro-quente. Simples, e, de certo modo, bem genial; afinal, quem não gosta de champanhe – ou de cachorro-quente? Tudo bem que não necessariamente você pensaria em comê-los juntos, mas o casal Sandia Chang e James Knappett tem feito sucesso com o Bubbledogs, aberto em 2012, e que costuma ter filas a partir das cinco da tarde.

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Bubbledogs, no entanto, não é um restaurante, e certamente não é o lugar para vir para um almoço longo e uma conversa séria. É um bar de vinhos – ou, mais especificamente, um bar de champanhe – com alguns cachorros-quentes no balaio. O ponto focal do espaço intimista é um esplêndido bar com tampo de cobre, que fico escondido atrás da parede de homens de terno que tomam conta do local nos horários mais cheios.

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Cervejas e coquetéis também são servidos, mas o carro-chefe é a lista de mais de 30 rótulos de champanhe, todos de cultivadores/produtores independentes, e com bom preço em relação às casas famosas (não espere encontrar um Moët ou Veuve no estabelecimento).

Um menu composto inteiramente de cachorro-quente não requer uma grande quantidade de deliberação. Há 13 variedades em oferta, com coberturas da moda, e todos disponíveis em carne, carne de porco ou vegetariano. Entre os mais atraentes estão o Buffalo (frito e servido com molho búfalo), o New Yorker (chucrute e as cebolas), e o K-Dawg (pasta de feijão vermelho e kimchi, um condimento coreano). Outros, como o Trishna, provocam um tremor involuntário. Quem um dia olhou para um cachorro-quente e pensou: “o que falta aqui é um chutney de manga”?

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Os atendentes são sempre atenciosos e elogiados, e a comida chega rápido à mesa. Tudo vem em embalagens típicas de fast-food: uma cesta de plástico vermelha para os cachorros-quentes e uma bandeja de papelão para os acompanhamentos. Os talheres são de plástico e tão “dobráveis” que te forçam a usar as mãos.

Photo credit: Paul Winch-Furness

A efervescência e o frescor do champanhe parecem ser a companhia perfeita para aplacar o óleo e gordura dos pratos em oferta – exatamente o que os donos estavam buscando. “Você não precisa de uma comida extremamente elaborada para trazer à tona o melhor de um bom vinho”, diz Sandia. “Na verdade, eu acredito que, às vezes, quanto mais simples e menos afetado, melhor.”

Bubbledogs
70 Charlotte Street, Fitzrovia, London W1T 4QG

Por Flávia Souza

Fotos: Reprodução; Lovethamag; e Pinterest.

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