24/07/2015 // Valentina em Londres

A exuberância da exposição “Alexander McQueen: Savage Beauty”

Segunda-feira de manhã chuvosa em Londres. Antes das 8h eu já estou no trem, meio contrariada por ter que sair de casa cedo para ir ao Victoria & Albert Museum ver a exposição “Alexander McQueen: Savage Beauty” porque eu fiquei enrolando para comprar o ingresso (a procura foi tão grande que o museu estendeu seu horário de funcionamento só para a mostra). Já na porta do museu eu percebo que a minha situação não é tão ruim – outras pessoas, que não conseguiram comprar online, começam uma fila para a venda que abre todos os dias às 10h.

Alexander_McQueen_Savage_Beauty_thumb_02-03

Após uma espera de menos de quinze minutos, meu horário chega – finalmente vou ver uma das exposições mais faladas dos últimos tempos. Entramos na primeira sala, que mostra uma imagem de McQueen feita pelo irmão dele. Daí em diante se entra num passeio incrível pela genialidade do designer.

O começo de tudo - a galeria 'London'

Nas duas primeiras salas, explicações sucintas sobre a carreira de Lee (como o designer era conhecido por amigos próximos) e algumas de suas peças iniciais. Um dos conceitos mais importantes para ele era o de que era essencial primeiro aprender a construir para só então desconstruir. E que aula de construção! Se na primeira sala se vê algumas peças icônicas como as calças ‘Bumster’ e os tartans McQueen (explorados em diversas coleções), na sequência o visitante se depara com a combinação potente de romantismo e gótico.

Galeria 'Romantic Gothic'

Em ‘Horn of plenty’, coleção de Outono Inverno 2009, Lee cria uma história com muitas plumas, muita renda e muito preto. Algumas das peças criadas durante seu tempo na Givenchy completam a sala, bem como itens da coleção Outono Inverno 2010 que o estilista nunca terminou (ele foi encontrado morto em seu apartamento em fevereiro de 2010, poucos dias após a morte de sua mãe).

Cabinet of Curiosities

Mas é no espaço intitulado ‘Cabinet of curiosities’ (“armário das curiosidades”, em português) que toda a genialidade de McQueen é exposta – seja nas peças ímpares, nos acessórios criados em parceria com outros designers (em especial com o chapeleiro Phillip Treacy, com quem Lee dividia um estúdio no porão da casa de Isabella Blow), ou nos desfiles exibidos nas várias telas espalhadas pelo salão. É impossível não se emocionar. A admiração por tanta criatividade e falta de medo de explorar o novo toma conta dos visitantes que ficam sentados em transe, observando os objetos distribuídos pelas paredes da galeria. A criatividade de McQueen se mostra crua, visceral, como se a única forma de expressão que o designer conhecia fossem as roupas. Saindo dali, mais um deleite: a reprodução do vídeo holograma em que Kate Moss aparece encerrando o desfile da coleção ‘Widows of Culloden’, em Paris, em 2006.

Instalação baseada no desfile 'Voss'

A curadoria, feita por Claire Wilcox, curadora sênior do museu, é incrível. Bem como o acervo da Fundação McQueen e das dezenas de amigos que emprestaram peças de coleções seminais – entre eles, a stylist Katy England, amiga íntima do designer desde o começo da carreira de ambos (de acordo com Katy, as roupas dos tempos iniciais nunca foram vendidas, eram peças de desfile, que McQueen usava como pagamento para a equipe do show, incluindo modelos).

É tanta beleza que é difícil de explicar. Com certeza de lavar a alma – até de quem não liga para moda.

A exposição fica em cartaz até o dia 02 de agosto de 2015 no Victoria & Albert Museum (SW7 2RL). Infelizmente, não há tickets disponíveis no site do museu.

Por Flávia Souza

Fotos: Reprodução

Nenhum comentário » A exuberância da exposição “Alexander McQueen: Savage Beauty”

Deixe seu comentário