09/06/2015 // Eventos

Eataly SP: o novo templo da cidade

Turistas e mais turistas dizem que São Paulo é um dos melhores lugares do mundo para se comer bem. Isso é um fato incontestável. Mas, como toda paisagem urbana que se preze, um pouco (ou um bom bocado) de caos faz parte do jogo. Pensando em alavancar ainda mais o mercado gastronômico local, um gigante mundial abriu suas portas por aqui. Na matéria de hoje, faremos um passeio pelo Eataly SP, complexo sustentado por filas intermináveis e produtos extremamente atraentes.

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Com o feriado da semana passada, era fácil imaginar que o Eataly estaria lotado. Mesmo assim, decidida, e acompanhada de uma amiga, parti para essa empreitada na sexta-feira (5), pouco depois das 18h00. Logo, imaginei fila na entrada do estacionamento, fila em cada restaurante ou quiosque, fila para tirar fotos dos alimentos visualmente estonteantes, fila para as selfies em cada esquina, fila para o banheiro, e assim por diante. Todas essas filas, com exceção à do banheiro – com tanta coisa boa para comer, não se lembrar de fazer essa pausa é até plausível -, de fato se confirmaram. Anote, pois, essa primeira sugestão: vá preparado para elas.

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De cara, esse empório monumental já chama a atenção. Fachada elegante, claridade pontual, organização (mesmo com tanta gente) bastante criteriosa. Assim que entrei, vi o quiosque da Nutella. Sorri feito criança no parque. Mas voltaremos para essa orgia daqui a pouco. Antes, quero elogiar a disposição dos produtos (incluindo livros e utensílios para a casa) e a maneira como são facilmente localizados.

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Acima de cada gôndola, há uma plaquinha com algumas informações sobre os produtos, ou, ainda, uma breve história da marca responsável. Achei isso de uma delicadeza sem tamanho. Afinal, quem fornece também tem muitas coisas para nos contar. Bela sacada – pena que, assim como toda placa, serão completamente ignoradas pela maioria apressada.

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Depois de uma volta, fui em direção ao segundo andar do complexo. O objetivo era comer uma pizza que, desde que vi fotos nas redes sociais, desejei provar. Felizmente, ainda que a multidão à espera de uma mesa fosse bem vasta, conseguimos sentar no balcão (bem confortável e extenso, por sinal) para apreciar uma verdadeira pizza napolitana: com crosta alta e macia, dona de um perfume irresistível e absolutamente saborosa.

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Dizer que foi uma das melhores pizzas que já comi na vida não é nada exagerado. Eis aqui, então, a segunda dica: encare a fila do restaurante La Pizza, que tem pizzas preparadas bem na frente dos clientes pelos pizzaiolos da Rossopomodoro. Só isso já faz a visita ao Eataly valer a pena. Aproveite, também, e conheça o bar-restaurante Brace, comandado pela chef Ligia Karasawa (ex-Clos de Tapas). Ele ocupa todo o terceiro andar, e, por lá, a atriz principal é a brasa (até o molho de tomate passa por ela).

Mas, claro, como toda viciada em doces, eu não poderia sair sem encarar a gigantesca fila do balcão da Nutella. Sim, eu fiquei mais de uma hora só para provar um crepe de Nutella com morangos que já existe em muitos outros lugares e restaurantes de São Paulo e que eu poderia muito bem ter feito em casa. Mas é Nutella. Nutella justifica qualquer sufoco, dor nos pés, sede ou constantes empurrões das bolsas que passam. “Valeu a pena?” Cada segundo que passei por lá. “O crepe é bom?” Maravilhoso – um mar de creme de avelã explodindo na sua boca (alerta: é excessivamente doce; e, neste caso, isso não é um ponto negativo). “Você enfrentaria essa fila novamente em uma segunda visita?” Não mesmo. A dica: prove o crepe (mesmo que só uma vez).

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Uma última volta por aquele templo dos gulosos, algumas comprinhas para prolongar a sensação de prazer e, pronto, fomos embora, sem fila, sem trânsito, por volta das 23h00. Em tempo: já que lá tem lotado todos os dias, vale considerar a hipótese de aproveitar horários mais alternativos, digamos. Portanto, fuja da hora do almoço ou do jantar. O segredo para passear com tranquilidade é escolher horários intermediários. E, por favor, não deixe de ir à padaria, também no primeiro andar. O perfume das focaccias me dá a certeza de que preciso voltar correndo para prová-las.

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O Eataly é um sucesso onde quer que se instala. São 29 lojas no mundo, quinze delas estão na Itália, nove no Japão, duas nos Estados Unidos, uma em Dubai, uma em Istambul e, agora, uma em São Paulo – desde o dia 19 de maio, com um investimento de mais de 40 milhões de reais. Além desse espelho que a marca preserva fora do Brasil, é bom salientar que mais de 700 itens foram trazidos com exclusividade da Itália (e, sim, os preços desses produtos são bem altos) e que há muitos outros fornecedores locais envolvidos no projeto.

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É um monumento. Quanto a isso, não há dúvidas. A questão é: talvez você goste muito, talvez não tenha a menor paciência; talvez queira voltar toda semana, talvez não vá pisar naquele lugar nunca mais em sua vida; talvez ache muita coisa com preços exorbitantes, talvez queira deixar cada centavo que sobrou na carteira naquele paraíso. Mas uma coisa é certa: o cenário gastronômico paulistano tem um novo competidor de peso (muito peso).

Te encontro na próxima fila!

Serviço:
Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1489 – São Paulo
Tel.: (11) 3279-3300
www.eataly.com.br

Por Renata Barranco

Fotos: Eataly FB e Renata Barranco

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