20/10/2014 // Valentina na Cidade Luz

O contemporâneo Centre Georges-Pompidou

O Centre National d’Art et de Culture Georges-Pompidou, ou simplesmente Centre Georges-Pompidou, é um centro cultural parisiense inteiramente dedicado à criação artística moderna e contemporânea, integrando artes plásticas à literatura, ao design, à música e ao cinema. Trata-se de um dos mais importantes museus do gênero no mundo, ao lado do Tate Madern (Londres) e do MoMA (Nova York).

pompidou paris - valentinamag

É, contudo, mais conhecido pela sua arrojada fachada. Nela, visualizamos todos os elementos de composição do prédio, normalmente ocultos nos demais edifícios. Assim, vigas metálicas, tubulações de água, fios elétricos e uma série de outros elementos assumem o protagonismo da construção, de modo a nos revelar uma estética que transcenda a sua mera utilidade funcional. Trata-se, portanto, de um exemplar da arquitetura high-tech, que tem por característica a incorporação de elementos industriais de alta tecnologia à concepção do prédio.

No que diz respeito ao acervo, ele traça um panorama bastante abrangente da produção artística mundial dos sécs. XX e XXI, com obras de autores como Kandinsky (arte abstrata), Picasso (cubismo), Magritte (surrealismo) e Merz (arte povera), dentre outros.

pompidou - valentinamag

Na única vez em que lá estive, interessei-me particularmente por dois quadros não muito badalados: La blouse roumanie, de Henri Matisse, e Nu devant un rideau vert, de André Derain.

Os modernistas, não raro, revisitavam estilos que marcaram época na história da arte. Não para reproduzi-los, mas para repensá-los. Aqui, eles retomam a tradição dos porta-retratos, pondo-os, contudo, em nova perspectiva.

Houve época em que o valor de uma obra (e, por tabela, a qualidade do artista) era medido de acordo com a sua capacidade de representar a realidade, bem como de acordo com a técnica empregada. Contudo, considerando-se a época em que foram pintados, entendo que estes quadros constituem uma releitura do estilo à luz da psicologia. Ao menos para mim, os pintores parecem estar mais interessados em retratar a psique das personagens do que elas próprias.

La blouse roumanie, de Henri Matisse - valentinamag

No quadro de Matisse, a blusa poderia funcionar como uma metáfora ao peso dos valores e das tradições locais sobre a jovem, melancolicamente conformada com o seu destino.

Nu devant un rideau vert,  de André Derain - valentinamag

Já no quadro de Derain é a nudez que a aprisiona. Há uma sexualidade natural no seu corpo, capaz de atrair os homens, mas insuficiente para retê-los, a julgar pelo seu olhar triste.

Acho notável o esforço em se tentar retratar as pessoas a partir dos seus dilemas e sentimentos não revelados.

Dizem que buscamos nos outros a resposta sobre quem nós somos. Matisse e Derain parecem fazer uma analogia entre a psicologia e os porta-retratos.

Por Eduardo Marques

Fotos: Pinterest

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