29/08/2014 // Música

Aerosmith X Alicia Silverstone

Por mais que a minha paixão pelo Aerosmith tenha começado nos anos 80, quando criança, foi nos 90 que realmente consegui sentir a vibe deliciosa do hard rock da banda. Foi quando eu entendi o prazer que instrumentos e vozes podiam me oferecer e quando finalmente saquei o que era trilha sonora. Afinal, como nos filmes, nossas vidas também possuem uma. E o mais legal é que podemos criá-la como bem entendermos.

aerosmith 90s - valentinamag

Aprendi com Steven, Joe, Brad, Tom e Joey o que era amor, sexo, dor, saudade, raiva, vícios, problema de autoestima, preconceito (contra qualquer um, obviamente), ousadia e estilo. Vou me arriscar e dizer que é uma das poucas bandas que fizeram cinema na música! Loucura? Acho que não… O Aerosmith criava histórias, nos identificávamos, nos apaixonávamos pelos personagens, clipes e, principalmente, pelas músicas.

gat a grip

Em abril de 1993, o mundo ganhou um dos melhores discos da banda, o “Get a grip”, repleto de músicas inspiradoras. No início de 1994, minha vida mudou quando ganhei a fita cassete do álbum e comecei a ter acesso a MTV Brasil.

alicia silverstone - aerosmith - valentinamag

Com isso, veio a famosa “Trilogia”, composta por 3 clipes incríveis, que criou uma nova geração. O elemento em comum? Alicia Silverstone! Com apenas 16 anos, gravou o primeiro clipe da banda: “Cryin”.

Em apenas 5 minutos, o mundo ganhou uma it-girl, ícone de pré-adolescentes, adolescentes e fashionistas, além de ser desejo de muitos garotos e homens pelo mundo afora. Mal ela sabia que seria uma das vozes da geração da década. Confesso que fiquei aficionada. O clipe em si foi uma descoberta, um novo mundo para mim: vingança após uma traição, piercing no umbigo, tatuagem, reação violenta após um assalto, sem contar a falsa tentativa de suicídio. A típica namorada problemática que vemos em filmes posteriores e atuais.

Depois veio “Amazing”. A história? Uma road-trip irreal de prazer, com efeitos especiais, experiências que testavam limites e muita emoção; a tecnologia estava chegando com tudo.

Mas foi “Crazy” que revolucionou a história da MTV e da VH1 e colocou a banda lá no topo do pedestal. Dessa vez, ao lado de Alicia, Liv Tyler também atuava. O fato de fugirem do internato, roubarem um carro, darem em cima dos caras que trabalhavam no posto de gasolina e loja de conveniência para conseguir tudo de graça, irem para um clube de strip-tease, para ganhar dinheiro e cair na estrada, foi demais para fechar com chave de ouro a trilogia de sucesso. A censura caiu em cima e foi feita uma nova versão, diferente do diretor, para ser rodada nos horários normais. Afinal, as duas são amantes na história e, como eram menores de idade, acharam que poderiam influenciar negativamente o público teen. O que é um tanto contraditório, pois, hoje em dia, programas como “Teenage pregnant” são campeões de audiência, além dos canais de música exibirem clipes ultra sensuais.

Lembro de ficar até tarde vendo tevê, esperando ansiosamente para os clipes passarem. Sem contar as infinitas madrugadas que passava com minha amiga cantando, aos berros, as letras de cada música, além de falar sobre cada detalhe das cenas e, às vezes, atuar junto.

MTV

A trilogia do Aerosmith, em parceria com a Alicia Silverstone, mexeu com o imaginário dos adolescentes dos anos 90 e, hoje em dia, é vista como referência histórica. Sou super nostálgica, e me entristece saber que a juventude de hoje não terá a mesma reação e referências que tive, e que todos tiveram na época. Com a Internet, tudo é tão rápido que há competições por números de acessos e likes. As pessoas querem visibilidade em vez de qualidade. Ontem, uma cantora pop fica de body justo, amanhã, a concorrente faz topless. Infelizmente, é a realidade, mas pelo menos temos o Youtube para nos ajudar a lembrar dessa época tão boa.

Por Diana Monteiro

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