15/08/2014 // Música

Stefanini: novo talento musical

O cenário da música brasileira clama por novidade, e, vez ou outra, somos surpreendidos por jovens talentos que têm o poder de envolver os palcos com suas vozes suaves e personalidades singulares. Assim é Rafael Stefanini, cantor goiano de 19 anos que tem chamado a atenção desde que seus covers das cantoras Beyoncé e Sia foram parar na Internet. Está prestes a lançar seu EP totalmente autoral e, na entrevista, esbanjou bom humor e franqueza. Sua postura de músico maduro faz de seu talento um novo respiro em um mar de tantas vozes semelhantes. Confira a entrevista com Stefanini, que mantém uma admirável ousadia para seguir com sua arte e difundir seu trabalho.

Rafael Stefanni - valentinamag

Atualmente, se dedica 100% à música ou mantém outra profissão em paralelo?

Seria um sonho dedicar 100% do meu tempo à música, mas isso ainda não é possível. Faço Publicidade e também tenho um estágio em um site de moda e comportamento urbano. Apesar de adorar essas tarefas paralelas, confesso que não vejo a hora de poder ser todo da música.

Sempre soube que gostaria de cantar?

Eu sempre tive isso em mente desde os quatro anos. Quando via a minha mãe cantar músicas da Laura Pauzini no meio da sala de estar, tentava imitar as notas altas (risos)!

Seu contato com a música vem desde a infância? Conte-nos como nasceu essa paixão, e a partir de qual momento começou a enxergá-la como uma profissão?

O início da minha relação com a música surgiu com essa adoração que eu tinha ao ver minha mãe cantar, aos quatro anos. Nesta idade, ela tinha o costume de gravar fitas cassetes cantando músicas da Laura Pauzini e, logo depois, as escondia para que ninguém escutasse. Como eu sempre a seguia e a via performando na sala, assim que ela saia de casa, eu colocava essas fitas no rádio e tentava acompanhar sua voz. Essas são as primeiras lembranças da minha relação com a música.

Durante a vida, a vontade de explorar mais o meu contato com a música fez com que eu tivesse o desejo de compor, tocar instrumentos e até aperfeiçoar a minha voz. Então, aos 10 anos, eu comecei a fazer aulas de violão, piano, voz e até teatro. Lembro-me de ter um caderno com composições bem bobinhas nessa idade e eu fazia com que toda a família sentasse pra escutar o que eu tinha escrito (risos).

A visão da música como profissão veio quando eu conheci os meninos do Bonde do Rolê, Gorky e Pedro. Quando os conheci, mostrei minhas composições para eles e logo surgiu a vontade e a oportunidade de trabalharmos juntos. Desde então, comecei a escrever para o EP e estamos ralando na produção dele.

Os covers lhe deram visibilidade. Pretende investir neste nicho?

Nesse momento, estamos trabalhando na produção do EP, que é todo autoral, mas nos shows eu faço alguns covers entre as músicas originais. É sempre bom você ouvir uma nova versão de alguma música.

Acreditamos que o Brasil esteja precisando de jovens talentos no ramo musical e ficamos encantados com sua voz. Quando o CD será lançado? Fale um pouco a respeito dele, das músicas e da sua concepção.

Muito obrigado! Eu fico muito feliz que tenham gostado! Ainda nesse semestre, eu vou lançar este EP autoral. Passei um tempo compondo as músicas para esse projeto que considero muito especial. Enfrentei um período muito complicado na minha vida e, por isso, o EP se chamará “ONDE”, que é uma expressão em italiano que significa “ondas”. É a melhor metáfora para descrever as músicas desse projeto porque elas serão um resultado calmo de um mar que agora não tem mais agitação. É aquele momento depois da bagunça das ondas, a “ressaca”, entende? Além disso, “ONDE” tem o sentido de procura, que é o que todo jovem faz quando se tem 19 anos.

Que estilo musical te inspira? Tem alguma banda ou cantor(a) que te ajudou a seguir a diante com seu sonho de ser músico?

Eu não tenho barreiras de gêneros musicais quando o assunto é inspiração. Eu penso que você pode se inspirar em coisas diferentes todos os dias e, assim, criar sensações distintas também; mas o que eu estou sempre ouvindo é música pop.

Não existe um cantor específico, mas eu amo The Keane, Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e o Tiago Iorc, que eu tive a oportunidade de abrir um show aqui em Goiânia.

Com tantos modismos pelo mundo afora, como vê o cenário musical hoje em dia?

Eu sinto o cenário musical um pouco anestesiado. A forma de vendagem e exploração das músicas faz com que o público não se aprofunde no artista. É tudo muito engessado. O indivíduo escuta uma música e a relação se resume a isso. A maioria das pessoas, infelizmente, não procura conhecer o trabalho do artista ou pelo menos escutar um álbum completo, mas isso não é culpa do público. A constante produção de músicas radiofônicas, e que são denominadas apenas por “dançantes”, traz um valor raso para quem escuta e eu sinto nas pessoas a necessidade de algo mais original, algo que as tornem mais engajadas.

Tendo em vista o mercado brasileiro, como é possível fugir do óbvio e fazer sucesso?

Fazer música que construa sensações nas pessoas e transmita veracidade. Nós temos nomes maravilhosos na MPB que já fizeram isso: Renato Russo, Cazuza, Rita Lee, Tom Jobim, entre outros. Esses fugiram do óbvio porque criaram um sentimento coletivo e singular em seu público; foram integralmente verdadeiros no que estavam fazendo.

Planos para o futuro? Conte-nos suas ideias e projetos.

Por enquanto, finalizar o EP e começar sua divulgação. Depois, quero poder iniciar já a produção do disco. Estou muito animado com isso e as composições para ele já começaram.

Rafael Stefanni - valentina mag

Você se considera um artista moderno, com olhos no futuro, ou ainda apresenta um pé na tradição?

Eu acredito ser um artista que tem, simultaneamente, os olhos no futuro e os pés na tradição. Porque, enquanto eu escrevo músicas no meu caderninho velho, já projeto como seriam futuros shows e como eu traria um diferencial para o meu trabalho.

Se pudesse definir o seu estilo em uma palavra, qual seria?

(risos) Vou defini-lo já dando uma pista sobre como o EP vai ser: sensível.

Por Renata Barranco

Fotos: Reprodução e AGambiarra

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